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Economia

Incorporadoras fazem pressão sobre bancos

POSTADA EM: 31/08/2016  |  POR: (Folhapress)
Incorporadoras querem que os bancos antecipem o financiamento imobiliário para o momento de venda na planta

Foto: Gilberto Marques

Pressionadas pelo aumento das desistências de compra de imóvel, incorporadoras querem que os bancos antecipem o financiamento imobiliário para o momento de venda na planta.
A prática já ocorre entre os bancos públicos, sobretudo em empreendimentos de habitação popular. Já os bancos privados resistem à proposta por entender que ela aumenta seus riscos.
Hoje, o mais comum é que o comprador pague uma parte do imóvel à incorporadora durante a obra e contrate o financiamento com o banco quando receber as chaves.
O problema é que, nesse meio tempo, a situação financeira do cliente pode piorar a ponto de o banco rejeitar a concessão do crédito.
Sem o recurso, o comprador desiste da aquisição - o chamado distrato, no jargão do setor - e a incorporadora precisa revendê-lo para pagar as dívidas que contraiu ao realizar a obra.
Ao lado da queda nas vendas, essa tem sido uma das principais razões para a crise do setor. Ao antecipar a concessão do financiamento para a compra na planta, porém, o risco de distrato desaparece porque o cliente tem um contrato com o banco.
À medida que a obra avança, o banco libera dinheiro para a construtora e cobra do cliente juros sobre esse repasse. O pagamento das parcelas do financiamento começa após a entrega do imóvel.
A Caixa Econômica Federal trabalha com esse formato desde 1997. Hoje, quase 100% dos imóveis vendidos pelo Minha Casa, Minha Vida e 60% do restante são financiados nesse sistema, segundo o diretor-executivo de habitação do banco, Teotônio Costa Rezende.
O Banco do Brasil também oferece o produto e anunciou recentemente que vai estendê-lo para a linha Pró-Cotista, para imóveis de até R$ 750 mil financiados via Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
“Fizemos isso porque queremos nos relacionar com o cliente o mais cedo possível. Isso permite que eu o fidelize e acompanhe melhor seu comportamento”, diz o vice-presidente de negócios de varejo do banco, Raul Moreira.

Consumidor

Para o cliente, a principal vantagem é ter o financiamento garantido no momento da compra. “Ele tem certeza sobre o crédito e as taxas”, diz o presidente da França Participações e membro do conselho de administração da Tecnisa, Luiz França.
O professor da Universidade de São Paulo (USP) João Rocha da Lima Júnior, especialista em mercado imobiliário, concorda. “O comprador se enquadra em um preço que ele sabe que é capaz de pagar desde a origem”, afirma.
O que as incorporadoras querem é que mais bancos adotem a prática e financiem na planta também imóveis mais caros. Segundo Luiz Moura, diretor da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), o grupo negocia uma proposta com as instituições financeiras.
A incorporadora Rodobens, que já faz uso do modelo em seus empreendimentos para o Minha Casa, Minha Vida, deve lançar até o fim deste ano um projeto direcionado para a classe média com financiamento na planta.
“Vamos usar esse produto como um teste. O lado bom é que diminui os distratos e minimiza os riscos da empresa”, diz o diretor financeiro e de relações com investidores da Rodobens, Flávio de Cápua.

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